Breve crítica da dita “bomba demográfica”, que ameaça nossa aposentadoria

“Com envelhecimento da população, Brasil se aproxima de cenário insustentável, onde mais idosos demandam benefícios e menos jovens financiam o sistema”, diz o coro dos contentes.

Primeiramente, o sistema da seguridade não é e não deve ser financiado apenas pela contribuição dos trabalhadores. Os empregadores devem contribuir, assim como empregadores e o Estado. Portanto, o envelhecimento da população por si não torna o sistema insustentável. Mas vejamos alguns dados (consolidados e estimados pelo IBGE) para entender como se comporta a capacidade dos trabalhadores contribuirem entre 2001 e 2060:

  • o ápice da curva se dá entre 2008 e 2022. Ainda nem sequer saimos da sitação de máxima população laboral no Brasil;
  • a diferença entre 2001 (65%) e 2060 (60%) é de apenas 5%. Deve ser ainda menor entre 1988, ano da consolidação constitucional da seguridade, e 2060.

Portanto o sistema não é menos viável agora do que era na época em que foi implantado. É verdade que a população de 2060 vai ter mais idosos e menos crianças que a população de 2001, e ainda que o custo dos cuidados com os idosos deva ser superior ao custo dos cuidados com as crianças, mas é no mínimo injusto dizer que o envelhecimento que ocorre na população brasileira torna o sistema da seguridade impraticável.

Publicado por iuri muniz

Funcionário público da educação e ativista sindical

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